Capítulo 4 – O que é Forte não se quebra
20:46:00 | Author: AnaaBiia

Três dias se passaram, Félix começava a ficar preocupado, de todas as brigas que os três já tiveram nunca ficara tanto tempo sem falar com Jude, nem Jude com eles. O clima na sala de aula estava muito pesado. Jude não esboçava nenhuma reação, nem a intenção de falar com eles. Sempre andando com um ar rude no rosto. Nem um simples bom dia ela dava e assim foi até sexta-feira, quando Félix já cansado desse clima resolveu por um fim nessa situação.

Escolheu a hora do intervalo para conversar com os três, sabia onde Carter e Jude sempre estavam naquele horário além de ser um lugar onde poderia fazer com que os dois evitassem escândalos.

Durante a aula antes do intervalo dois bilhetinhos cruzaram a sala. Um para a Carter na Primeira fila e o outro para Jude na última fila. Todos continham a mesma mensagem.


Encontre-me no Recreio!!!

Lugar de sempre...

Assunto Megahiperultrasério!!!

Félix




Assim a aula continuou até a sirene tocar anunciando o Intervalo

Félix seguiu direto para o pátio, especificamente para a grande mangueira que existia um pouco isoladamente naquele espaço. Pouca gente sabia mais ali era o espaço perfeito para se passar o intervalo, reservado, incrivelmente silencioso, e maravilhosamente ventilado. Qualidades não muito difíceis de encontrar naquela cidade.

Não demorou muito Carter chegou, mas vidrado do que nunca no seu i-phone parecia que estava no meio de alguma coisa muito importante, nem esperou Félix abrir a boca e falou:

- Que foi? Que é que você tem de tão importante para falar comigo? É do trabalho? Tú não sabe o que eu já fiz! Já elaborei um plano de ação! Já separei...

- CARTERR!!!! – O grito de Félix fez Carter parar de falar, ou melhor, ajudou Carter a Respirar – Dá pra fazer silencio? Espera só um pouco aí que daqui a pouco eu te digo o que foi!

Félix agora tentava achar no meio dos alunos a silhueta de Jude, porém nada de acha - lá. Alguns minutos depois Jude aparece com um salgado e um copo de suco na mão, na certa estava até agora na fila da cantina atrás de comprar o lanche. Todos os alunos pelo menos uma vez na vida já sofreram com a fila da cantina e o pior de tudo era que a colégio nada fazia pra melhorar essa situação.

- Desculpa Félix! Tava comprando meu Lanche Você sabe como demora né? – Essas foram às primeiras palavras de Jude desde o conflito no primeiro dia de aula, até parecia que nada tinha acontecido.

- Pois é! E o pior é que esses nojentos... - Falou Félix apontando para um grupo de garotos que no ano passado tinha humilhado os três em especial o Félix pela internet –...ficam furando fila.

- Ainda me arrependo de não ter socado a cara deles. – Falou Jude dando uma encarada para os garotos o que fez Félix rir.

Logo esse bom clima terminou. Jude não se sentiu a vontade quando descobriu a presença de Carter. Félix segurou de leve o braço de Jude quando percebeu a tentativa dela de voltar

- Por favor, Jude espere só um pouco! Escute o que eu tenho pra falar – Um Tom melancólico saiu da boca de Félix, um tom que parecia mais uma criança pedindo algo pro pai

Jude sentou-se um pouco afastada de Carter, tirou um pedaço do salgado e esperou pacientemente o que Félix tinha pra falar. Carter colocou seu celular no modo de espera e já se preparava para aquela voz de gato abandonado do Félix quando quer pedir alguma coisa em especial, a reconciliação dos amigos.

- OLHA SÓ, EU SO VOU FALAR UMA VEZ! – Gritou Félix – EU NÃO AGUENTO MAIS ESSE CLIMA CHATO ENTRE VOCÊS. CARTER VOCÊ FEZ UMA BESTEIRA EM ROUBAR ESSAS INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS E PESSOAIS DO PAI DA JUDE E VOCÊ JUDE SABE QUE O CARTER É DESSE JEITO NUNCA PEDE A NOSSA AUTORIZAÇÃO PARA FAZER AS COISAS. LEMBRA-SE DA VEZ QUE ELE PEGOU AQUELE MEU CARRINHO DE BOMBEIROS...

- Aquele que a sirene tocava e jorrava água que tinha quebrado?

- Sim – Falou num volume tão baixo que Jude e Carter juraram que era outra pessoa

Houve um momento nostalgia dos três.

- POIS SIM... – Interrompeu Félix voltando ao seu volume máximo- ELE FOI LÁ EM CASA PEGOU O CARRINHO SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO E LEVOU PARA CONCERTAR NA CASA DELE. Tudo bem que ele concertou e economizou um concerto de quase 100 reais...MAIS NÃO PEDIU A MINHA AUTORIZAÇÃO.

- Tá Gente, eu sei que eu tenho essa mania de fazer as coisas escondidas, porém eu não faço por mal eu só quero ajudar– Falou Carter tentando se explicar

- Mas pelo menos deveria avisar a gente né? Carter, sério mesmo, eu não gostei do que você fez, mas não porque você fez escondido. E sim por que eu também já tentei fazer isso uma vez para conseguir alugar um livro restrito da biblioteca municipal. Mudando de assunto, eu fiquei com raiva porque você sabe como eu não gosto de brigar com meu pai, depois que mamãe morreu eu só quero fazer ele feliz- Falou Jude com os olhos lacrimejando- Eu fiquei com muito medo dele descobrir isso que você fez e como o notebook dele. A culpa ia cair inteiramente em cima de mim

- Xii! – Falou Carter coçando a cabeça percebendo que poderia ter colocado Jude em problemas- Eu não tinha pensando nisso! Jude você me desculpa? Por favor, diz que sim! Eu nunca mais vou fazer nada sem a autorização de vocês! E aí me desculpa? Eu prometo que a partir de agora eu sempre vou pedir a autorização de você para tudo, e que se...

- CARTERRRR!!! CALA A BOCA – Falou Félix tentando ajudar novamente Carter a respirar- Cara tu tem que tratar isso...toda vida que tu fica entusiasmado ou nervoso com alguma coisa tu não para de falar...

- É? Eu nem falo tanto assim ...

- Nãoooooooo né! – Jude e Félix falaram exatamente no mesmo tom, como se tivessem ensaiado há semanas.

- Sim Jude... E aí? Você vai esquecer o que o MatracaMen fez?

- Claro que sim. Eu perdoei o Carter... Mas você já tá sabendo... Qualquer informação só..

- Só com a permissão de vocês... Vou ficar atento nisso apartir de agora... – Disse Carter já tirando o celular do "Repouso"- Gente tenho novidades a respeito do trabalho

A sirene tocou o fim do intervalo

- Ei Gente! Tive uma idéia! - Falou Jude- Que tal hoje assim que a aula acabar a gente ir para o shopping? Aí lá o Carter fala essas novidades, e ainda eu aproveito e compro o presente da Lia...

- LIA!!! – Agora foram Félix e Carter que falaram em um coro muito bem ensaiando

- Caramba Félix! A gente esqueceu completamente do aniversário dela no domingo...

- Pois é então fechou Jude tenho só que ligar pra minha mãe agora. Lá na sala eu te aviso se vai dá certo...Carter empresta o teu celular? O meu tá sem crédito... hehe

- Toma Liseira!!! Não demora muito que eu ainda tenho que ligar pra minha mãe tambem

E saíram os três amigos andando rumo à sala, mais fortes como nunca porque toda amizade que é forte nunca será quebrada.

Capítulo 3 – A pesquisa
21:58:00 | Author: Anônimo

Capitulo 3 – A Pesquisa

Carter e Jude observaram pela janela Félix saindo, era legal ter o amigo de volta depois de tanto tempo.

- Quando a sua mãe vem te visitar? – perguntou Jude

- Daqui a duas semanas – a mãe e o pai de Carter são separados, ela é guia turística e quase nunca pode dar total atenção ao filho, por isso Carter mora com o pai, Haroldo, um professor de história que leciona na escola que os três amigos estudam – e o papai não vai hoje para casa, disse que vai ter que fazer umas pesquisas na biblioteca – além de professor de história seu Haroldo também é o principal responsável pela organização da biblioteca municipal de Arbor.

- Nossa seu pai gosta mesmo de pesquisar – enquanto Jude dizia isso Carter desligava o computador e ajeitava na sua mochila alguns papéis que ele tinha imprimido – que papéis são esses?

- Ah! Isso – Carter amassou os papéis dentro da bolsa - só umas bobagens, nada muito importante – sua voz ficou rouca – Tenho que ir Jude, até amanhã.

- Tchau, até amanhã não se esquece que segunda começam as aulas – os dois se despediram.

O fim de semana passou bem rápido, Félix só teve tempo de desfazer as malas e ornamentar a sua casa com os novos e extravagantes enfeites que sua mãe comprou durante a viagem, com algumas fugas para se encontrar com Jude e Carter, o suficiente para contar como foi cada minuto da sua tediosa estada na casa da vovó Bernadete. Agora realmente a rotina ia voltar ao normal, pois um novo ano letivo ia começar na escola que os amigos estudavam.

- Fééééélix – aquele grito foi o suficiente para por a rua inteira de pé, dona Alessandra acordou meio atrasada para o trabalho – vamos eu estou atrasada e você também – quando Félix entrou dona Alessandra passou a quarta e o carro saiu deixando marcas de pneu gravadas no asfalto da rua.

O caminho até a escola não era muito grande, por isso Félix era o único aluno que não ia de transporte, ele e Jude que era filha do prefeito. Alguns minutos dentro do carro e dona Alessandra já havia ultrapassado todos os limites de velocidade, resmungando que no fim do mês ia ter milhares de multas para pagar por culpa de Félix que havia se esquecido de programar o despertador para o horário habitual. Já era possível ver a fachada do único colégio de Arbor, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Carlos Américo. Boatos diziam que Carlos Américo fora a primeira pessoa a nascer em Arbor, fato esse nunca confirmado.

- Que hora termina a aula? – perguntou dona Alessandra muito apressada.

- As doze e trinta – Félix respondeu já abrindo a porta e botando o pé para fora.

- Fique me esperando aqui fora - não deu nem tempo Félix responder ela já tinha ido embora.

Externamente não haviam feito nenhuma mudança na escola, era um prédio de que ocupava um enorme quarteirão, seguia a mesma estrutura das construções mais antigas da cidade como a prefeitura, a biblioteca e o teatro. Na parte de fora havia um grande letreiro que exibia o nome do colégio de maneira bem extravagante, as paredes principais eram feitas de uma pedra diferente, uma pedra com uma leve coloração azul, onde não havia pedra prevalecia à cor branca em textura de ondas, o que dava um ar de modernidade para a escola. Era sete e quinze a aula havia começado faz cinco minutos, os corredores estavam vazios, obviamente os alunos já estavam nas salas.

A sala de Félix era no último pavimento do colégio, junto com as turmas de segundo e terceiro ano e de uma sala que vivia fechada, o caminho era longo para chegar lá. Quando abriu a porta deu de cara com professor Afonso de Física, não gostava muito dele, porém, ele ensinava muito bem.

- Félix, pensei que não viesse hoje – disse ele em um tom que pareceu um tanto irônico – sente-se, por favor, livro na página quatrocentos e trinta, estudo dos movimentos.

Jude e Carter estavam, como sempre, no fundo da sala e haviam guardado um canto para Félix. As primeiras aulas pareciam que não iam terminar, até a hora do intervalo, onde os amigos conseguiram conversas mais. Agora a aula era de história, professor Haroldo pai de Carter era um bom professor, mas às vezes parecia obcecado por algumas coisas, como os mistérios da história, se realmente o que diziam que aconteceu era verdade ou mentira.

Todos já estavam nas suas carteiras e o professor Haroldo havia acabado de chegar para a aula, ele era alto tinha os mesmos cabelos do filho, só que com alguns fios brancos, sempre com um exemplar de história geral debaixo do braço, colou o livro na mesa olhou para os alunos e disse:

- Eu sou professor de história há anos, eu sempre gostei do que eu faço e nunca vou deixar de fazer isso. – ele estava parecendo um pouco melancólico – nunca houve na história do mundo um mistério tão grande quanto as civilizações mais antigas, que em razão do muito tempo os relatos históricos destas se perderam e elas acabaram se tornando grandes enigmas para os historiadores e para a humanidade – agora parecia que ele tinha tocado em um assunto sério – Como vocês sabem, Arbor é uma cidade que não possui relatos históricos, não há lendas, não se tem conhecimento de nada. Nada. Eu, por dois anos pesquisei muito para poder compreender isso – ao término dessa frase ele baixou os olhos.

"Mas foi em vão, todas as minhas pesquisas, boatos pesquisados, histórias, não encontrei nada, eu considero essa cidade o maior dos enigmas que o mundo da história já teve, mas é claro que houve um passado, deve ter havido, os moradores mais antigos daqui especulam que houve uma civilização antes de tudo, antes da colonização, antes do império, da república, uma civilização que ninguém até hoje ninguém foi capaz de compreender, por esse motivo hoje eu estou propondo uma tarefa para vocês, uma pesquisa sobre o passado de Arbor."

Todos começaram a protestar. Gritar, uma verdadeira algazarra começou dentro daquela sala de aula. Roberto um aluno realmente aplicado foi o primeiro a desafiar o professor realmente:

- Mas professor isso é impossível se o senhor que estuda história há anos não sabe o que aconteceu com essa cidade, imagine nós que não temos nem o nível médio completo – a sala todinha assentiu.

- Esse trabalho não é obrigatório. – Um alto som de alívio percorreu a sala – Porém, quem me trouxer fatos que realmente importantes vai conseguir não só a gratidão de toda a população de Arbor como também uma significante ajuda na aprovação logo agora no começo do ano letivo – logo todos mudaram de opinião – posso contar com a ajuda de algum de vocês?

- Sim! – A maior parte da sala concordou com a proposta e ainda mais com o prêmio que ela trazia.

A algazarra continuava, os primeiros esboços de idéias iam aparecendo, os primeiros grupos já iam se formando, porém Haroldo pediu silêncio, parecia um tanto emocionado com a resposta positiva dada ao projeto que por muitas vezes já lhe deixou noites em claro.

- Fico muito feliz que a maioria da sala tenha recebido positivamente a minha idéia – disse ele com um tom menos melancólico do começo da aula – porém algumas regras serão estabelecidas. – Haroldo retira um pincel azul da sua pasta e começa a escrever no quadro branco.

Regra Nº1= Todas e quaisquer informações encontradas devem ser analisada e confirmadas, assim como qualquer informação falsa não será aceita.

Regra Nº 2= Nenhum grupo ou aluno deve se envolver em situações perigosas.

Regra Nº 3= Toda atividade ou pesquisa de campo deve ser avisada e somente realizada com a autorização previa do pai ou responsável


Após escrever Haroldo falou:

- Alguns de vocês devem estar se perguntando por que eu escolhi vocês, jovens adolescentes para me ajudar em uma pesquisa tão complexa como essa. A resposta é simples. Criatividade. Vocês têm milhões de idéias borbulhando em suas mentes. Idéias essas que estão à espera de um pequeno estímulo para poderem sair. Tenho certeza que vocês conseguirão achar algum fato, algum local ou até mesmo alguma pessoa que passou despercebido por mim nessa minha longa pesquisa. - A Sirene Tocou – Boa Sorte a todos. Completou Haroldo

Enquanto todos saiam o professor foi até Carter e os dois conversaram sobre algo, após alguns segundos Carter abraçou o pai e saiu junto à Jude e Félix. Os três amigos andavam agora pelos corredores vagos do colégio.

- E ai, quem está a fim de pesquisar sobre o enigmático passado de Arbor – Félix falou em um tom irônico e engraçado ao mesmo tempo.

- Pra ganhar aprovação antes do fim do ano eu topo qualquer coisa – todos ainda lembravam como Jude quase ficou de recuperação no ano passado.

Carter parou subitamente na frente de Félix e Jude e disse:

- Eu já sabia que ele ia passar esse trabalho, por isso eu me adiantei logo – Carter tirou de sua mochila alguns papéis, os papéis que ele havia imprimido na casa de Jude – pessoal eu sei como é o meu pai ele não pediria pra gente fazer isso se não tivesse tentado de tudo para desvendar esse mistério – Carter verificou se o corredor estava realmente vazio – por isso eu acho que é perda de tempo a gente usar as fontes de pesquisa que ele já usou – agora Carter mirou os olhos em Jude, pigarreou baixinho e continuou.

"Jude, na sexta quando eu usei o seu notebook para imprimir umas coisas eu... na verdade... essas coisas... – Carter ficava nervoso a cada palavra que dizia.

- Fala logo – pressionou Jude.

- Eu invadi o sistema do seu notebook para conseguir um histórico de senhas usadas pelo seu pai – disse Carter tão rápido que foi quase impossível de compreender.

- Você o que? – disse Jude incrédula no que acabara de escutar, ela estava visivelmente estupefata.

- Mas como? O notebook era dela e não do pai dela – disse Félix

- Na verdade o notebook que ele estava usando naquele dia era o ex-notebook do meu pai que ele tinha passado para mim – Jude agora parecia compreender tudo – por isso você queria mexer nele, tinha outros mais novos, mas você insistiu para usar o mais antigo, eu achei estranho mas não desconfiei na hora, seu... – Jude estava com uma cara de "eu quero te matar o mais rápido possível".

- Jude eu não faria isso se não fosse realmente importante – Carter tentava se explicar

- Cara por que você está tão interessado nesse trabalho? – Félix perguntou

- Vocês não entendem os boatos que rolam é que Arbor pode ter sido o berço de uma civilização antiga que tinha conhecimentos além de seu tempo – Carter parecia deslumbrado – se nós descobrirmos alguma coisa nós vamos simplesmente mudar a história.

- E o que o histórico de senhas do meu pai tem a ver com isso? – Jude ainda estava olhando feio para Carter

- O seu pai é o prefeito, já que nós não vamos usar os mesmo meios de pesquisa usados pelo meu pai eu sugiro que nós invadamos o sistema de computadores da prefeitura para recolher dados, informações mais antigos sobre Arbor – Carter disse aquilo como se estivesse na cara.

- Você vai à minha casa, invade o meu notebook na minha cara, rouba todos os históricos de senhas do meu pai e ainda sugere que nós simplesmente roubemos informações confidenciais da prefeitura? – concluiu Jude

- Cara não seria mais simples ter pedido as senhas a Jude? – perguntou Félix

- Ela nunca me daria – disse Carter.

- Nunca mesmo – rebateu Jude

- Jude eu nunca teria feito isso se não fosse importante – Carter tentou mais uma vez se explicar.

- Carter eu... eu... você... é... um... – Jude saiu correndo.

- O que deu nela? – perguntou Carter

- Cara ela confiava em você, se você tivesse pedido tinha sido bem menos desconfortável – disse Félix

- E bem mais difícil – concluiu Carter.

- Depois a gente fala sobre isso melhor. Agora eu tenho que ir minha mãe deve estar lá fora – Félix foi embora.

Sozinho no corredor Carter foi embora pra casa e estava decidido a fazer aquilo, ele tinha que saber qual era o mistério daquela cidade, qual o enigma que Arbor guardava.


Capítulo 2 - Novidades
13:29:00 | Author: AnaaBiia

Capítulo 2: Novidades

- Ufa! Até que em fim acabamos – Carter falou com uma voz cansada – Pensei que nunca acabaríamos.

- Pensei que eram só algumas malas – Jude fez questão de enfatizar o algumas.

- É isso que dá ter uma mãe fanática por enfeites – Félix falou com um tom irônico. – E então quais são as novidades?

- Féliiiiiiiiiiiiiiiiiiix! – a mãe de Félix gritava por ele, a conversa teria que esperar mais um tempo – Vem cá!

- Droga! – resmungando Félix desceu as escadas e foi ver o que sua mãe queria.

Minutos depois ele voltou

- Gente desculpa, mas a minha mãe ta pirada. Ela disse que era minha obrigação cuidar da Lola, enquanto ela ia ao supermercado. – ele disse com uma voz desanimada, Lola era sua irmã mais nova. Depois de tanto tempo sem ver os amigos ainda teria que esperar mais. Era horrível.

- Tudo bem, eu tinha mesmo que dar banho no Thomas. – Thomas era o gato gordo e peludo de Jude – Então de tarde lá em casa.

- De tarde na sua casa – repetiram Carter e Félix ao mesmo tempo o que gerou gargalhadas de todos.



A Tarde já estava acabando quando Félix finalmente pode sair de casa, para ir à casa de Jude. Antes passou pela loja Fred para cumprimentá-lo e seguiu caminho. Apesar de ficarem na mesma rua comprida as casas de Jude e Félix eram muito diferentes. A dela parecia uma daquelas Mansões saídas de filmes da Disney, com imensos jardins na frente e atrás da casa já a casa de Félix era bem normal, assim como a de Carter, exceto pelos enfeites de sua mãe. Jude sempre foi rica, mas nunca se comportou como uma patricinha muito pelo contrario, como tem um gênio muito forte vive se metendo em encrenca.

Quando Félix chegou à casa de Jude, Carter já estava lá a um bom tempo e aproveitava para "brincar",como ele dizia, com uns dos inúmeros computadores de ultima geração de Jude. Que ouvia musica em seu I pod caríssimo. Quando viu Félix entrar em seu quarto jogou o aparelho de lado e sentou na cama de súbito.

- Poxa até que em fim! Pensei que não viesse mais. – ela disse fazendo menção para que ele entrasse e sentasse em um dos sofás de seu quarto. Félix entrou, e mais uma vez ficou impressionado com o tamanho do quarto. Ele era do tamanho de sua casa as paredes pintadas de roxo e em alguns pontos de vermelho, tinha uns sofás imensos e repletos de almofadas coloridas sem contar com a televisão de quarenta e duas polegadas, a TV a cabo e o computador de ultima geração e inúmeras outras coisas de garotas.

- Desculpe, mas é que minha mãe ta surtada hoje – Félix disse envergonhado por deixar os amigos esperando – Se bem que, em que dia ela não está?

- Tudo bem, pelo menos eu pude ver umas coisas na internet - Carter disse tentando alegrar o amigo.

- E então,quais são as novidades – Félix perguntou mais animado, era incrível com ele podia se sentir bem perto de seus amigos.

- Você não vai acreditar – Jude falava entusiasmada – Lembra da Ann e do Robert, aqueles dois que viviam brigando?

- Sei, que é que tem – Félix perguntava curioso.

- Estão namorando! – Carter disse de supetão.

- O que?! – Félix perguntava sem acreditar. Como aquilo podia ser possível eles viviam brigando. – Mas eles não faziam outra coisa a não ser brigar.

- É, mas domingo ele pediu ela em namoro no meio do píer, na frente de todo mundo. Eu vi. Ele se ajoelhou e pediu como quem pede em casamento, ela disse que sim e eles se atracaram e não se largaram mais, estão todos melosos agora. – Jude respondia como quem sabe das coisas.

- Hã?... – Félix falou meio abobalhado, não estava entendendo o que Jude falava.

- Pelo amor de Deus, não me faça repetir toda a história de novo – Jude disse aborrecida.

- A história da Ann e do Robert eu entendi. Só não entendi uma coisa. – Félix dizia confuso.

- Lentamente – resmungou Carter, ironizando a situação.

- O que você NÃO entendeu Félix - Jude perguntava em um tom de ironia.

- O que eu não entendi foi: o que VOCÊ estava fazendo no píer em pleno domingo – Félix indagou e no mesmo momento Carter, que até então estivera de costa, se virou para ouvir a resposta, era obvio que também estava curioso. Jude ficou vermelha, ela sentia suas bochechas rosadas ficarem quente.

- Eu... eu...eu só estava passando, certo? - respondeu ela de maneira nada convincente o que fez os garotos ficarem mais desconfiados.

- Sei, sei – Carter disse fingindo que acreditava, mas deixou bem claro pelo tom de sua voz que não.

- Então, aquela loja roupas maneira também inaugurou essa semana. Vai ser um covil de patricinhas – Jude dizia tentando mudar de assunto. – ah... e durante o desfile o comandante Darion teve um ataque cardíaco e morreu – ela completou com frieza. O comandante nunca fora uma pessoa lá muito boa, rabugento e ignorante adorava dar bronca nos adolescentes que arrumavam briga, principalmente em Jude.

- Ah... – disse Félix, ele também não gostava muito do comandante.

- E eu acho que é só. Acabaram as novidades. – Jude disse satisfeita.

- Você não vai MESMO contar pra ele? – Carter perguntou á ela em um tom de repreensão e que fez a soltar um "Carter!" que queria dizer "cala a boca idiota".

- O que aconteceu?! – perguntou Félix, desconfiando que Jude tenha "aprontado" mais uma.

- Ela jogou uma garota da escada do Shopping ontem – Carter disse sem a mínima pena.

- Carter! – Jude disse repreendendo-o

- Por que você fez isso garota? Por acaso quer ser presa? Porque é isso que acontece quando as pessoas dão uma de doida no meio do shopping. – Félix disse. Ele sabia como a amiga tinha um gênio forte e como não deixava barato um simples comentário.

- Ela é filha do prefeito, não vai ser presa. – Carter disse para irritá-la sabia que ela não gostava dessas comparações.

- Cala a boca Carter! – ela gritou com raiva – Olha aquela garota passou por mim e por Carter e disse "Nossa como ela pode sair com ele" a que estava com ela disse "ahh... eles formam um casal bonito" – ela dizia imitando as vozes frescas e fazendo gestos semelhantes aos das garotas.

- É e depois disso ela voou no pescoço da garota, e a empurrou escada abaixo – Carter dizia também fazendo gestos como se fosse Jude.

- Nossa você é má – Félix disse nem um pouco impressionado com a atitude da amiga. – Gente, acho que já vou, nossa como já é tarde, minha mãe deve estar louca.

Félix saiu apreensivo, estava com medo de o que poderia acontecer com Carter quando ele ficasse só com Jude, tentou chamá-lo, mas ele não se tocou e disse que ainda precisava ver umas coisas na internet. Quando Félix saiu Jude não disse nada a Carter só o fitou com um olhar insano e por um momento era como se existissem raios entre seus olhos, assim como acontece nos desenhos animados, que o fez tremer e querer sair de lá o mais rápido possível.







Capítulo 1 – Arbor
19:28:00 | Author: Spotter

Prólogo:

"Uma Cidade Não É Nada Sem Sua História"

Capítulo 1: Arbor

Foram às férias mais longas da vida de Félix, ele não agüentava mais o cheiro de mofo da casa de sua Avó Bernadete, estava cansado de ficar longe do mundo, longe da civilização. A saudade que sentia dos seus amigos era muito grande, e o único contato que teve nos últimos meses com eles foi por telefone e mesmo assim muito rápido.

A viagem de volta pra Arbor estava quase no fim. Uma grande placa, apoiada em duas que tinham suas copas entrelaçadas, anunciava a entrada da cidade. Do lado esquerdo do carro, o parque florestal começava a ganhar forma, altas e inúmeras árvores davam um clima mais acolhedor a quem chegava.

Logo o clima bucólico de Arbor foi quebrado. As inúmeras ruas que faziam o contorno da cidade foram aparecendo, casas e mais casas todas no mesmo formato davam um ar de organização à cidade. O grande e imponente prédio da prefeitura reinava no centro da cidade, ninguém sabia ao certo quem e quando ele fora construído, se bem que até hoje nada se sabe sobre o passado de Arbor, se ela teve um passado glorioso com reis, rainhas, castelos ou até mesmo um passado conflituoso, tudo isso era uma dúvida que reinava há anos.

Embora fosse uma cidade relativamente pequena comparada a outras da região, Arbor era bastante desenvolvida. Seu centro olímpico gerava inveja até na própria capital do estado, a biblioteca e o teatro eram simplesmente maravilhosos. O Shopping Arbor Center era à escolha preferida dos adolescentes de várias localidades. O "Arbor Aquário" trazia para a cidade um pouco do litoral, já que a praia mais próxima ficava a quilômetros de distância. Seu Parque Florestal atraia famílias semanalmente para um piquenique. Sem contar com ponto de encontro dos casais de namorados, o píer do lago. Local preferido de dez entre dez pombinhos apaixonados, enfim, quem morasse em Arbor não podia reclamar de opção para diversão

A casa de Félix não ficava muito longe desse centro fervoroso de opções culturais, morava no Largo Conde Matheus X. Quem era esse? Só Deus sabe. A casa de Félix não era a maior ou a mais bonita do bairro, essa era a do prefeito, ela era simplesmente a mesma de todo mundo. A única coisa que a diferenciava das demais era a imensa quantidade de enfeites que sua mãe colecionava na frente da casa. Eram anões de todos os tipos, tamanhos e cores, só de sininhos que faziam barulho com o vento eram dez, mais parecia o trenó do papai-noel. Na calçada Jude e Carter, melhores amigos de Félix, estavam no mesmo canto de dois meses atrás quando ele tinha indo viajar.

- Graças ao meu bom Deus! Não agüentava mais ficar sentada... – Disse Dona Alessandra, mãe de Félix, saindo em rapidamente do carro para esticar as pernas.

- Aí amor! Para de ser dramática, nem demorou tanto assim, em um instante chegamos. – Seu Feliciano falava ainda desligando o carro.

- Não demorou? Só pode ser piada, né pai?- Félix falava quase gritando de dentro do carro indo em direção aos seus amigos.

A risada do pai de Félix foi abafada pelo grito que Jude. Ela era alta e magra, apesar de comer bastante. No último aniversário do Carter, comeu nada menos que quatro pedaços grandes de bolo e ainda levou um quinto dizendo que era pra sua mãe. Jude tem os cabelos negros e incrivelmente lisos, sua pele lembra a cor do mel, seus olhos verdes são de dar inveja em todas as meninas da turma. Era filha do prefeito de Arbor, porém não gostava nada disso. Só servia para lhe trazer problemas que quase sempre acabavam em brigas e suspensões. E também nunca usava essa desculpa para conseguir algo que queria

- Nossa como você demorou! Aconteceu cada coisa, que como diz o Fred, você vai ficar "chocado" – Fred era o dono de uma loja de artigos de beleza perto da praça, embora ele não falasse todo mundo sabia que ele tinha um jeitinho mais meigo de ver o mundo, quem era amigo dele escutava as melhores histórias do mundo, além de aprender diversas gírias.

- Realmente, nunca acontece nada assim muito importante na cidade, mais é só você sair que acontece alguma coisa, se lembra da passagem do exército pela cidade? Você não tava aqui não era? – Falou Carter quase sem parar. Félix fez sinal de positivo com a cabeça, e com um ar de tristeza. Embora não quisesse seguir essa profissão, adorava ver a antiga profissão de seu avô paterno já falecido, avô de quem herdou o nome.

Carter tinha um padrão médio de altura, ganhava por dois centímetros de Félix, usava uns óculos bem notáveis, e nunca abandonava a sua enorme mochila, o que carregava dentro era um mistério, tudo tinha ali dentro. Algumas das coisas que Félix e Jude viram sair de dentro dessa "bagagem", foi um diário de bordo, uma câmera digital, um mini-notebook de Oito polegadas e um I-Phone que ele comprou após juntar sua mesada por alguns meses. Não esconde de ninguém seu desejo de fazer engenharia de telecomunicações e estuda muito para isso. Não liga muito pra sua aparência, mesmo assim, esse seu jeito desligado chama a atenção de muitas meninas de sua sala, que adoram esse "desprezo" pelo padrão de beleza.

- E aí quem vai me contar primeiro as novidades? - Perguntou Félix super entusiasmado.

- Ei mocinho! Nem pense em sair agora? Coloque suas malas para dentro de casa, depois você vai sair com seus amigos. – Disse Dona Alessandra em um tom bastante sarcástico.

- Tá mãe! – Respondeu com uma vontade de uma lesma- Vocês me ajudam? – Perguntou pra Jude e Carter.

- Claro!

Sinopse
18:54:00 | Author: AnaaBiia

Oi gente! Bom a gente veio hoje com a sinopse da história e depois postaremos o Primeiro capítulo.


Sinopse:

A cidade de Arbor nunca conheceu seu passado. Uma cidade sem passado ou futuro certo. Félix um garoto sonhador e corajoso, Carter o gênio dos computadores e Jude uma garota de gênio forte e mandona, esses são os principais responsáveis pela busca do passado dessa enigmática cidade.

O que acontecerá? Será que essa amizade suportará a tortuosa busca sem limites do mistério até agora indecifrável? Será que eles conseguirão encontrar o verdadeiro passado de Arbor?