Capítulo 1 – Arbor
19:28:00 | Author: Spotter

Prólogo:

"Uma Cidade Não É Nada Sem Sua História"

Capítulo 1: Arbor

Foram às férias mais longas da vida de Félix, ele não agüentava mais o cheiro de mofo da casa de sua Avó Bernadete, estava cansado de ficar longe do mundo, longe da civilização. A saudade que sentia dos seus amigos era muito grande, e o único contato que teve nos últimos meses com eles foi por telefone e mesmo assim muito rápido.

A viagem de volta pra Arbor estava quase no fim. Uma grande placa, apoiada em duas que tinham suas copas entrelaçadas, anunciava a entrada da cidade. Do lado esquerdo do carro, o parque florestal começava a ganhar forma, altas e inúmeras árvores davam um clima mais acolhedor a quem chegava.

Logo o clima bucólico de Arbor foi quebrado. As inúmeras ruas que faziam o contorno da cidade foram aparecendo, casas e mais casas todas no mesmo formato davam um ar de organização à cidade. O grande e imponente prédio da prefeitura reinava no centro da cidade, ninguém sabia ao certo quem e quando ele fora construído, se bem que até hoje nada se sabe sobre o passado de Arbor, se ela teve um passado glorioso com reis, rainhas, castelos ou até mesmo um passado conflituoso, tudo isso era uma dúvida que reinava há anos.

Embora fosse uma cidade relativamente pequena comparada a outras da região, Arbor era bastante desenvolvida. Seu centro olímpico gerava inveja até na própria capital do estado, a biblioteca e o teatro eram simplesmente maravilhosos. O Shopping Arbor Center era à escolha preferida dos adolescentes de várias localidades. O "Arbor Aquário" trazia para a cidade um pouco do litoral, já que a praia mais próxima ficava a quilômetros de distância. Seu Parque Florestal atraia famílias semanalmente para um piquenique. Sem contar com ponto de encontro dos casais de namorados, o píer do lago. Local preferido de dez entre dez pombinhos apaixonados, enfim, quem morasse em Arbor não podia reclamar de opção para diversão

A casa de Félix não ficava muito longe desse centro fervoroso de opções culturais, morava no Largo Conde Matheus X. Quem era esse? Só Deus sabe. A casa de Félix não era a maior ou a mais bonita do bairro, essa era a do prefeito, ela era simplesmente a mesma de todo mundo. A única coisa que a diferenciava das demais era a imensa quantidade de enfeites que sua mãe colecionava na frente da casa. Eram anões de todos os tipos, tamanhos e cores, só de sininhos que faziam barulho com o vento eram dez, mais parecia o trenó do papai-noel. Na calçada Jude e Carter, melhores amigos de Félix, estavam no mesmo canto de dois meses atrás quando ele tinha indo viajar.

- Graças ao meu bom Deus! Não agüentava mais ficar sentada... – Disse Dona Alessandra, mãe de Félix, saindo em rapidamente do carro para esticar as pernas.

- Aí amor! Para de ser dramática, nem demorou tanto assim, em um instante chegamos. – Seu Feliciano falava ainda desligando o carro.

- Não demorou? Só pode ser piada, né pai?- Félix falava quase gritando de dentro do carro indo em direção aos seus amigos.

A risada do pai de Félix foi abafada pelo grito que Jude. Ela era alta e magra, apesar de comer bastante. No último aniversário do Carter, comeu nada menos que quatro pedaços grandes de bolo e ainda levou um quinto dizendo que era pra sua mãe. Jude tem os cabelos negros e incrivelmente lisos, sua pele lembra a cor do mel, seus olhos verdes são de dar inveja em todas as meninas da turma. Era filha do prefeito de Arbor, porém não gostava nada disso. Só servia para lhe trazer problemas que quase sempre acabavam em brigas e suspensões. E também nunca usava essa desculpa para conseguir algo que queria

- Nossa como você demorou! Aconteceu cada coisa, que como diz o Fred, você vai ficar "chocado" – Fred era o dono de uma loja de artigos de beleza perto da praça, embora ele não falasse todo mundo sabia que ele tinha um jeitinho mais meigo de ver o mundo, quem era amigo dele escutava as melhores histórias do mundo, além de aprender diversas gírias.

- Realmente, nunca acontece nada assim muito importante na cidade, mais é só você sair que acontece alguma coisa, se lembra da passagem do exército pela cidade? Você não tava aqui não era? – Falou Carter quase sem parar. Félix fez sinal de positivo com a cabeça, e com um ar de tristeza. Embora não quisesse seguir essa profissão, adorava ver a antiga profissão de seu avô paterno já falecido, avô de quem herdou o nome.

Carter tinha um padrão médio de altura, ganhava por dois centímetros de Félix, usava uns óculos bem notáveis, e nunca abandonava a sua enorme mochila, o que carregava dentro era um mistério, tudo tinha ali dentro. Algumas das coisas que Félix e Jude viram sair de dentro dessa "bagagem", foi um diário de bordo, uma câmera digital, um mini-notebook de Oito polegadas e um I-Phone que ele comprou após juntar sua mesada por alguns meses. Não esconde de ninguém seu desejo de fazer engenharia de telecomunicações e estuda muito para isso. Não liga muito pra sua aparência, mesmo assim, esse seu jeito desligado chama a atenção de muitas meninas de sua sala, que adoram esse "desprezo" pelo padrão de beleza.

- E aí quem vai me contar primeiro as novidades? - Perguntou Félix super entusiasmado.

- Ei mocinho! Nem pense em sair agora? Coloque suas malas para dentro de casa, depois você vai sair com seus amigos. – Disse Dona Alessandra em um tom bastante sarcástico.

- Tá mãe! – Respondeu com uma vontade de uma lesma- Vocês me ajudam? – Perguntou pra Jude e Carter.

- Claro!

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