Capitulo 3 – A Pesquisa
Carter e Jude observaram pela janela Félix saindo, era legal ter o amigo de volta depois de tanto tempo.
- Quando a sua mãe vem te visitar? – perguntou Jude
- Daqui a duas semanas – a mãe e o pai de Carter são separados, ela é guia turística e quase nunca pode dar total atenção ao filho, por isso Carter mora com o pai, Haroldo, um professor de história que leciona na escola que os três amigos estudam – e o papai não vai hoje para casa, disse que vai ter que fazer umas pesquisas na biblioteca – além de professor de história seu Haroldo também é o principal responsável pela organização da biblioteca municipal de Arbor.
- Nossa seu pai gosta mesmo de pesquisar – enquanto Jude dizia isso Carter desligava o computador e ajeitava na sua mochila alguns papéis que ele tinha imprimido – que papéis são esses?
- Ah! Isso – Carter amassou os papéis dentro da bolsa - só umas bobagens, nada muito importante – sua voz ficou rouca – Tenho que ir Jude, até amanhã.
- Tchau, até amanhã não se esquece que segunda começam as aulas – os dois se despediram.
O fim de semana passou bem rápido, Félix só teve tempo de desfazer as malas e ornamentar a sua casa com os novos e extravagantes enfeites que sua mãe comprou durante a viagem, com algumas fugas para se encontrar com Jude e Carter, o suficiente para contar como foi cada minuto da sua tediosa estada na casa da vovó Bernadete. Agora realmente a rotina ia voltar ao normal, pois um novo ano letivo ia começar na escola que os amigos estudavam.
- Fééééélix – aquele grito foi o suficiente para por a rua inteira de pé, dona Alessandra acordou meio atrasada para o trabalho – vamos eu estou atrasada e você também – quando Félix entrou dona Alessandra passou a quarta e o carro saiu deixando marcas de pneu gravadas no asfalto da rua.
O caminho até a escola não era muito grande, por isso Félix era o único aluno que não ia de transporte, ele e Jude que era filha do prefeito. Alguns minutos dentro do carro e dona Alessandra já havia ultrapassado todos os limites de velocidade, resmungando que no fim do mês ia ter milhares de multas para pagar por culpa de Félix que havia se esquecido de programar o despertador para o horário habitual. Já era possível ver a fachada do único colégio de Arbor, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Carlos Américo. Boatos diziam que Carlos Américo fora a primeira pessoa a nascer em Arbor, fato esse nunca confirmado.
- Que hora termina a aula? – perguntou dona Alessandra muito apressada.
- As doze e trinta – Félix respondeu já abrindo a porta e botando o pé para fora.
- Fique me esperando aqui fora - não deu nem tempo Félix responder ela já tinha ido embora.
Externamente não haviam feito nenhuma mudança na escola, era um prédio de que ocupava um enorme quarteirão, seguia a mesma estrutura das construções mais antigas da cidade como a prefeitura, a biblioteca e o teatro. Na parte de fora havia um grande letreiro que exibia o nome do colégio de maneira bem extravagante, as paredes principais eram feitas de uma pedra diferente, uma pedra com uma leve coloração azul, onde não havia pedra prevalecia à cor branca em textura de ondas, o que dava um ar de modernidade para a escola. Era sete e quinze a aula havia começado faz cinco minutos, os corredores estavam vazios, obviamente os alunos já estavam nas salas.
A sala de Félix era no último pavimento do colégio, junto com as turmas de segundo e terceiro ano e de uma sala que vivia fechada, o caminho era longo para chegar lá. Quando abriu a porta deu de cara com professor Afonso de Física, não gostava muito dele, porém, ele ensinava muito bem.
- Félix, pensei que não viesse hoje – disse ele em um tom que pareceu um tanto irônico – sente-se, por favor, livro na página quatrocentos e trinta, estudo dos movimentos.
Jude e Carter estavam, como sempre, no fundo da sala e haviam guardado um canto para Félix. As primeiras aulas pareciam que não iam terminar, até a hora do intervalo, onde os amigos conseguiram conversas mais. Agora a aula era de história, professor Haroldo pai de Carter era um bom professor, mas às vezes parecia obcecado por algumas coisas, como os mistérios da história, se realmente o que diziam que aconteceu era verdade ou mentira.
Todos já estavam nas suas carteiras e o professor Haroldo havia acabado de chegar para a aula, ele era alto tinha os mesmos cabelos do filho, só que com alguns fios brancos, sempre com um exemplar de história geral debaixo do braço, colou o livro na mesa olhou para os alunos e disse:
- Eu sou professor de história há anos, eu sempre gostei do que eu faço e nunca vou deixar de fazer isso. – ele estava parecendo um pouco melancólico – nunca houve na história do mundo um mistério tão grande quanto as civilizações mais antigas, que em razão do muito tempo os relatos históricos destas se perderam e elas acabaram se tornando grandes enigmas para os historiadores e para a humanidade – agora parecia que ele tinha tocado em um assunto sério – Como vocês sabem, Arbor é uma cidade que não possui relatos históricos, não há lendas, não se tem conhecimento de nada. Nada. Eu, por dois anos pesquisei muito para poder compreender isso – ao término dessa frase ele baixou os olhos.
"Mas foi em vão, todas as minhas pesquisas, boatos pesquisados, histórias, não encontrei nada, eu considero essa cidade o maior dos enigmas que o mundo da história já teve, mas é claro que houve um passado, deve ter havido, os moradores mais antigos daqui especulam que houve uma civilização antes de tudo, antes da colonização, antes do império, da república, uma civilização que ninguém até hoje ninguém foi capaz de compreender, por esse motivo hoje eu estou propondo uma tarefa para vocês, uma pesquisa sobre o passado de Arbor."
Todos começaram a protestar. Gritar, uma verdadeira algazarra começou dentro daquela sala de aula. Roberto um aluno realmente aplicado foi o primeiro a desafiar o professor realmente:
- Mas professor isso é impossível se o senhor que estuda história há anos não sabe o que aconteceu com essa cidade, imagine nós que não temos nem o nível médio completo – a sala todinha assentiu.
- Esse trabalho não é obrigatório. – Um alto som de alívio percorreu a sala – Porém, quem me trouxer fatos que realmente importantes vai conseguir não só a gratidão de toda a população de Arbor como também uma significante ajuda na aprovação logo agora no começo do ano letivo – logo todos mudaram de opinião – posso contar com a ajuda de algum de vocês?
- Sim! – A maior parte da sala concordou com a proposta e ainda mais com o prêmio que ela trazia.
A algazarra continuava, os primeiros esboços de idéias iam aparecendo, os primeiros grupos já iam se formando, porém Haroldo pediu silêncio, parecia um tanto emocionado com a resposta positiva dada ao projeto que por muitas vezes já lhe deixou noites em claro.
- Fico muito feliz que a maioria da sala tenha recebido positivamente a minha idéia – disse ele com um tom menos melancólico do começo da aula – porém algumas regras serão estabelecidas. – Haroldo retira um pincel azul da sua pasta e começa a escrever no quadro branco.
Regra Nº1= Todas e quaisquer informações encontradas devem ser analisada e confirmadas, assim como qualquer informação falsa não será aceita.
Regra Nº 2= Nenhum grupo ou aluno deve se envolver em situações perigosas.
Regra Nº 3= Toda atividade ou pesquisa de campo deve ser avisada e somente realizada com a autorização previa do pai ou responsável
Após escrever Haroldo falou:
- Alguns de vocês devem estar se perguntando por que eu escolhi vocês, jovens adolescentes para me ajudar em uma pesquisa tão complexa como essa. A resposta é simples. Criatividade. Vocês têm milhões de idéias borbulhando em suas mentes. Idéias essas que estão à espera de um pequeno estímulo para poderem sair. Tenho certeza que vocês conseguirão achar algum fato, algum local ou até mesmo alguma pessoa que passou despercebido por mim nessa minha longa pesquisa. - A Sirene Tocou – Boa Sorte a todos. Completou Haroldo
Enquanto todos saiam o professor foi até Carter e os dois conversaram sobre algo, após alguns segundos Carter abraçou o pai e saiu junto à Jude e Félix. Os três amigos andavam agora pelos corredores vagos do colégio.
- E ai, quem está a fim de pesquisar sobre o enigmático passado de Arbor – Félix falou em um tom irônico e engraçado ao mesmo tempo.
- Pra ganhar aprovação antes do fim do ano eu topo qualquer coisa – todos ainda lembravam como Jude quase ficou de recuperação no ano passado.
Carter parou subitamente na frente de Félix e Jude e disse:
- Eu já sabia que ele ia passar esse trabalho, por isso eu me adiantei logo – Carter tirou de sua mochila alguns papéis, os papéis que ele havia imprimido na casa de Jude – pessoal eu sei como é o meu pai ele não pediria pra gente fazer isso se não tivesse tentado de tudo para desvendar esse mistério – Carter verificou se o corredor estava realmente vazio – por isso eu acho que é perda de tempo a gente usar as fontes de pesquisa que ele já usou – agora Carter mirou os olhos em Jude, pigarreou baixinho e continuou.
"Jude, na sexta quando eu usei o seu notebook para imprimir umas coisas eu... na verdade... essas coisas... – Carter ficava nervoso a cada palavra que dizia.
- Fala logo – pressionou Jude.
- Eu invadi o sistema do seu notebook para conseguir um histórico de senhas usadas pelo seu pai – disse Carter tão rápido que foi quase impossível de compreender.
- Você o que? – disse Jude incrédula no que acabara de escutar, ela estava visivelmente estupefata.
- Mas como? O notebook era dela e não do pai dela – disse Félix
- Na verdade o notebook que ele estava usando naquele dia era o ex-notebook do meu pai que ele tinha passado para mim – Jude agora parecia compreender tudo – por isso você queria mexer nele, tinha outros mais novos, mas você insistiu para usar o mais antigo, eu achei estranho mas não desconfiei na hora, seu... – Jude estava com uma cara de "eu quero te matar o mais rápido possível".
- Jude eu não faria isso se não fosse realmente importante – Carter tentava se explicar
- Cara por que você está tão interessado nesse trabalho? – Félix perguntou
- Vocês não entendem os boatos que rolam é que Arbor pode ter sido o berço de uma civilização antiga que tinha conhecimentos além de seu tempo – Carter parecia deslumbrado – se nós descobrirmos alguma coisa nós vamos simplesmente mudar a história.
- E o que o histórico de senhas do meu pai tem a ver com isso? – Jude ainda estava olhando feio para Carter
- O seu pai é o prefeito, já que nós não vamos usar os mesmo meios de pesquisa usados pelo meu pai eu sugiro que nós invadamos o sistema de computadores da prefeitura para recolher dados, informações mais antigos sobre Arbor – Carter disse aquilo como se estivesse na cara.
- Você vai à minha casa, invade o meu notebook na minha cara, rouba todos os históricos de senhas do meu pai e ainda sugere que nós simplesmente roubemos informações confidenciais da prefeitura? – concluiu Jude
- Cara não seria mais simples ter pedido as senhas a Jude? – perguntou Félix
- Ela nunca me daria – disse Carter.
- Nunca mesmo – rebateu Jude
- Jude eu nunca teria feito isso se não fosse importante – Carter tentou mais uma vez se explicar.
- Carter eu... eu... você... é... um... – Jude saiu correndo.
- O que deu nela? – perguntou Carter
- Cara ela confiava em você, se você tivesse pedido tinha sido bem menos desconfortável – disse Félix
- E bem mais difícil – concluiu Carter.
- Depois a gente fala sobre isso melhor. Agora eu tenho que ir minha mãe deve estar lá fora – Félix foi embora.
Sozinho no corredor Carter foi embora pra casa e estava decidido a fazer aquilo, ele tinha que saber qual era o mistério daquela cidade, qual o enigma que Arbor guardava.
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