- Tudo o que quero saber Jude, é onde o seu amigo obteve essas pistas – Carter falava com a garota a caminho de sua casa.
- John, o Carter quer saber onde você encontrou essas fotos – Jude arremessou as palavras sem nenhuma discrição.
- É uma história longa – Jonathan parou e começou a falar – Acho que vocês já ouviram falar do "Gazeta do NovoDia", era um jornal antigo, e sem muito sucesso, fundado em Ubi, uma cidade vizinha a Arbor, no ano de 1932 – o detetive fez uma pausa.
"Naquela época os outros jornais só publicavam artigos políticos, policiais, essas coisas, o gazeta não, suas notícias falavam sobre tudo o que um detetive gosta mistérios, crimes sem explicação e muito mais. Todas as investigações do Gazeta procuravam uma solução coerente, mas em 1989 ele foi a falência e teve de ser vendido. Quando a senhorita Judith me falou desse mistério eu me lembrei que eu já tinha ouvido falar dessa cidade, só não me lembrava de onde, o fato é que um galpão abandonado foi usado como lixo para os artigos que o gazeta não pôde lançar, eu fui nesse galpão revirei os arquivos e encontrei essas pistas. Não foi nada fácil tinha centenas de arquivos no galpão mas o que eu encontrei foi só isso, imagens com algumas dedicatórias, nada mais a fundo."
Os quatro se voltaram ao seu destino, ainda processando aquelas informações.
- Se esse jornal ainda existisse seria fácil encontrar mais informações – Disse Félix.
- Claro deve ter algum documento mais preciso – concluiu Jude.
- Jonathan você sabe a data que esse artigo ia ser publicado? – Perguntou Carter.
- Não havia nada sobre Arbor, além do que eu trouxe – lamentou Jonathan.
Os garotos não falaram nada durante o resto do percurso, com certeza estavam tentando achar alguma explicação para aquelas intrigantes fotos, que fez tudo parecer mais fácil e mais difícil, pois eles tinham um início mas não sabiam manipulá-lo, as idéias pareciam estar em uma espécie de caixa confusa e estava sendo difícil resgatá-las. Chegando à casa todos se sentaram no imenso sofá que havia na sala, por alguns instantes ninguém falou, até que Jude resolver falar primeiro:
- E ai, vamos mesmo ficar aqui sentados enquanto uma cidade fica sem história – Ela já estava a caminho da escadaria – Vamos pesquisar sobre essa tal gazeta sei lá das quantas!
- Como assim? A gente não devia pesquisar sobre as pistas, isso não faz sentido – Dizia Félix enquanto subia as escadas com Carter e Jonathan.
- Claro que faz sentido, eu entendi o que você quer fazer, Jude – dizia Carter – você quer conseguir o artigo que o Gazeta do novo dia iria lançar sobre Arbor.
- Isso! – Félix começava a entender – Mas como vamos conseguir esse arquivo se o próprio Jonathan não conseguiu?
- Realmente não faz sentido – disse Jonathan, todos já estavam no quarto da garota – eu vasculhei o galpão inteiro, cada arquivo, cada pasta, cada futuro arquivo, cada detalhe eu mesmo fiz isso Senhorita e posso dizer sem sombra de dúvidas que sobre Arbor, lá só havia isso – Jonathan apontou para as pistas.
- Se havia arquivos, sobre Arbor nesse galpão algum artigo ia ser publicado – concluiu Carter.
- Você está dizendo que eu não soube procurar direito – Falava um Jonathan indignado.
- Não! – Carter rebateu – o que eu quero dizer é que esses arquivos podem estar em qualquer lugar e não necessariamente nesse galpão.
- Então em que lugar – Questionou Félix.
- É justamente isso que temos que saber – Começou Jude – e para isso nós vamos precisar saber quem fundou o Gazeta do novo dia, e se ele ainda está vivo.
- E se não estiver vamos em busca de algum familiar seu que esteja – Concluiu Félix
- Improvável de mais – filosofou Jonathan.
- O que é improvável? – Perguntou Félix
- Ótu NovoDia já morreu há anos – começou Jonathan – e mesmo que vocês encontrem algum parente dele como vamos chegar até essa pessoa?
- Isso não é problema – Disse Carter – minha mãe chega na próxima semana ela é guia turística e pode conseguir uma viagem para qualquer canto do mundo que a gente queira – Carter quase fez um "há há há" no final dessa frase.
- Devia ser menos pessimista Jonathan – Disse Jude – principalmente por que você que é um detetive.
Jonathan não respondeu, mas os seus traços naquele momento diziam a hipótese era como um guardanapo: totalmente descartável. Jude agora estava ligando o seu notebook, ele era tão rápido que em dois minutos a garota já estava havia acessado o Google:
"Gazeta do Novodia"
Pesquisar Goggle
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- Ótimo! Informação não falta – Jude já havia clicado em uma enciclopédia digital – Aqui apontou a garota com o dedo mindinho – e começou a ler.
Gazeta do NovoDia: Antigo jornal que tinha como público alvo, delegados, detetives e entre outros. Seus pouco conhecidos artigos não faziam muito sucesso entre as pessoas que buscavam se atualizar com notícias do dia-a-dia, o Gazeta do novo dia publicava manchetes sobre misteriosos crimes, enigmas, que as não se encontrava explicações.
O Criador: Ótu NovoDia, viveu de 1912 – 1995, morreu pouco após a falência de sua empresa, deixando um pequena fortuna avaliada em torno de três milhões de reais, para seus filhos Margaret NovoDia e Antônio NovoDia. Não se sabe muito sobre ele, apenas que foi um grande detetive, hoje em dia seus filhos são donos da renomada empresa de cosméticos: Epiderme.
- Margaret e Antônio NovoDia – Carter estava pensando alto – Jonathan você tem certeza que não conhece eles?
- Claro que não! – Disse Jonathan – Pensei que o velho Ótu tinha morrido deixando dividas e não uma pequena fortuna.
- Você pode conseguir a ficha desses dois? – Félix fez uma pergunta que já se esperava.
- Posso – Disse Jonathan.
Antes que ele dissesse mais alguma coisa Jude falou:
- Ótimo! Carter, fale logo com a sua mãe, acho que nós três vamos nos ausentar por alguns dias.
Para Félix era bom ter os amigos de volta. Para eles também, afinal sempre foram amigos e amigos sempre ficam juntos. Depois da turbulenta reconciliação Félix avisou aos amigos que não seria possível a ida pra o shopping logo depois da aula. Sua mãe havia lhe dito que ele precisava arrumar o quarto que estava um desastre total. Ficou combinado, então, que Félix e Carter passariam na casa de Jude de tarde e de lá iriam para o shopping todos juntos.
Lá pelas quatro da tarde os garotos desceram a comprida rua em que moravam e foram em direção a casa de Jude que fica no fim da longa descida e onde se encontrariam para ir ao shopping discutir os assuntos do trabalho. Quando chegaram à casa da amiga se surpreenderam, pois a amiga não estava lá.
- Ela saiu já faz tempo – uma das empregadas lhes dissera.
- Mas não disse para onde ia. – Carter perguntou intrigado, para onde ela poderia ter ido?
- Não, só disse que se dois garotos, um alto e com o cabelo emaranhado e outro com uma mochila nas costas, exatamente como vocês aparecessem dissesse a eles que ela já havia ido.
- Anh? – Carter perguntou confuso com a explicação que se embaralhava em sua cabeça.
- Ela já foi cara - Félix disse
Logo depois os dois garotos seguiram seu caminho em direção ao shopping. Depois de alguns minutos estavam em frente a um dos mais modernos edifícios da cidade. O Prédio fora projetado para ser o mais futurista possível. As janelas eram todas de vidro, o prédio inteiro era praticamente todo de vidro e metal deixando o ambiente confortavelmente frio. Os garotos subiram até o terceiro andar onde ficavam as lojas de comida e onde habitualmente era o ponto de encontro. Não demoraram muito para encontrar Jude o estranho era que ela estava com Ann e Robert e se não estivesse acompanhada, segurando vela.
- Oi – falaram Félix e Carter em uníssono
- Oi – Jude respondeu em um tom... Um tom de quem esconde algo.
- Oi Félix, Carter – Ann disse animadamente abraçando os garotos.
- Oi, caras – Robert os cumprimentou.
- Por que não nos esperou Jude? – Félix perguntou de supetão
- Anh... Tinha que fazer umas coisas – Ela respondeu olhando para os lados com precaução.
- Procurando algo ou seria alguém? – Carter perguntou curioso deixando a amiga envergonhada, mas não tão envergonhada quanto furiosa.
- Não é da sua conta – rebateu ela fechando os punhos.
- Vocês não vão brigar de novo, né gente. – Félix falou tentando apartar uma possível briga.
- Não – Jude e Carter falaram ao mesmo tempo.
- Que bom ainda temos muito que fazer – ele disse olhando diretamente para os dois
- Sim, sim vamos – Jude falou apresando os amigos enquanto eles despediam-se de Ann e Robert. Estava óbvio que a garota escondia alguma coisa.
Eles saíram da praça de alimentação do shopping rapidamente.
O problema de se viver em uma cidade pequena é que todo mundo conhecia todo mundo e se alguma fofoca surgia em questão de minutos a noticia se espalhava. Foi exatamente o que aconteceu naquela tarde. Enquanto caminhavam pelo shopping discutindo como começariam as investigações para o trabalho de historia os celulares de todos começaram a bipar indicando nova mensagem era como uma daquelas correntes enviadas por e-mail. Uma pessoa via algo enviava uma mensagem pra amiga que enviava para outra amiga e assim a corrente ia se formando. Naquela tarde não foi diferente alguém vira algo interessante e decidiu divulgar para toda a cidade, na mensagem apenas uma palavra: Forasteiro. O que na língua das garotas queria dizer: Garoto lindo e super-fofo vindo de fora da cidade. Ao ver a mensagem Jude não se importou muito, na verdade pareceu um pouco preocupada o que deixou os garotos intrigados afinal o que ela estaria escondendo?
- Nossa. Isso sim é diferente – Carter disse ao ler a pequena palavra em seu celular.
- Com certeza, agora sim as coisa vão ficar melhores – Félix disse ironizando a situação e dando gargalhadas.
- E você Jude o que acha – Carter perguntou um pouco intrigado com o silêncio da amiga.
- Nada. O que deveria achar? – Ela respondeu em um tom amargo.
- Tudo bem, ninguém perguntou – Carter riu levantando as mãos em sinal de inocência.
Então uma coisa esquisita aconteceu um garoto desconhecido, provavelmente o forasteiro, apareceu por trás dos garotos e cumprimentou Jude com um beijo... um beijo no rosto mas que se observado de outro ângulo aparentaria na boca, o beijo a pegou de surpresa o que a fez virar a socar a barriga do individuo .
- Milady me desculpe era só uma brincadeira – O forasteiro falava gaguejando por causa da dor.
- Ah Jonathan é você... Pensei que voltaria mais tarde. – Jude disse fuzilado o garoto com os olhos.
- Sim, mas precisava falar com a senhora. – Ele disse ainda apalpando a barriga dolorida.
- John já disse para parar de me chamar de senhora, não sou sua mãe. – ela disse olhando para Carter e Félix que pareciam perplexos. Aos olhos deles, garotos, aquele forasteiro era realmente bonito e estava falando com Jude, mas por quê?
- Mi... Judith eu encontrei algumas coisas que talvez a interesse. É sobre a cidade. – Ele disse retirando do bolso um grande envelope marrom.
- Sério! Me mostra – Carter exclamava ansioso. – Meu Deus como você foi rápido.
- Realmente, o pai do Carter nunca achou nada e você já tem pistas. Hum... Falando nisso quem é você? – Félix falava sem nem mesmo respirar.
- Detetive Jonathan Burg, à seu serviço Mi lorde. – Jonathan apresentou-se fazendo uma suave referencia, quem o via pensava que era de outra época.
- Ahh... Mas então o que você encontrou? – Félix perguntou também curioso.
- Bem andei fuçando os arquivos de Arbor os mais antigos na verdade e bem encontrei algumas fotos nada demais, mas acho que já é um começo. – Ele disse entregando o envelope a Jude.
- Tudo é importante – Jude completou e abriu o envelope dentro dele apenas três fotos uma mostrava uma cidade pouco desenvolvida e que se assemelhava a Arbor. Atrás da pequena imagem, escrito em uma caligrafia fina e organizada estava uma mensagem que dizia:
Para a mais bonita das mulheres uma pequena amostra de seu futuro lar.
Terrence Price
Arbor, 1879, Centro.
A outra foto mostrava o projeto de uma cidade que hoje seria considerada atrasada, mas para a época deveria ser muito moderna. Era um projeto simples, mas promissor os garotos foram até capazes de identificar o píer no mapa. Como na anterior a foto continha um pequeno manuscrito, mas esse dizia simplesmente:
Projeto para o futuro.
Arbor
15 de maio de 1857
E a terceira imagem mostrava um homem muito bem vestido, roupas antigas, atrás dele uma paisagem um tanto quanto rural, uma paisagem semelhante aos bosques da reserva florestal de Arbor diferente das outras essa não continha nenhum texto apenas uma data. 1860.
- Hã... – Félix indagava confuso - Todas essa fotos são de Arbor?
- Sim. – John respondeu.
- Mas como? Parece a cidade, mas... Não sei parecem tão diferentes.
- É verdade, se essas fotos são mesmo da cidade temos que investigar. – Carter dizia ansioso – Ei nessa foto a palavra Arbor é uma assinatura ou o nome do projeto?
- Não sei – John respondeu confuso.
- Temos que descobrir, e aí Carter o que você tem?
- Algumas senhas. Temos mesmo é que descobrir as informações do arquivo, mas... – Ele parou apreensivo.
- Mas... – Félix repetiu
- Mas é que tem que ser feito na sua casa Jude – ele arremessou para a garota, mas essa respondeu com um simples "tudo bem".
Os garotos ficaram chocados nunca esperariam uma atitude assim da amiga até mesmo John ficou boquiaberto.
- Então vamos né – Jude disse chamando os garotos para a porta.
Assim os garotos seguiram em direção a casa de Jude para iniciar mais uma busca cansativa por pistas, mal sabiam eles que essa sim valeria à pena.
Três dias se passaram, Félix começava a ficar preocupado, de todas as brigas que os três já tiveram nunca ficara tanto tempo sem falar com Jude, nem Jude com eles. O clima na sala de aula estava muito pesado. Jude não esboçava nenhuma reação, nem a intenção de falar com eles. Sempre andando com um ar rude no rosto. Nem um simples bom dia ela dava e assim foi até sexta-feira, quando Félix já cansado desse clima resolveu por um fim nessa situação.
Escolheu a hora do intervalo para conversar com os três, sabia onde Carter e Jude sempre estavam naquele horário além de ser um lugar onde poderia fazer com que os dois evitassem escândalos.
Durante a aula antes do intervalo dois bilhetinhos cruzaram a sala. Um para a Carter na Primeira fila e o outro para Jude na última fila. Todos continham a mesma mensagem.
Encontre-me no Recreio!!!
Lugar de sempre...
Assunto Megahiperultrasério!!!
Félix
Assim a aula continuou até a sirene tocar anunciando o Intervalo
Félix seguiu direto para o pátio, especificamente para a grande mangueira que existia um pouco isoladamente naquele espaço. Pouca gente sabia mais ali era o espaço perfeito para se passar o intervalo, reservado, incrivelmente silencioso, e maravilhosamente ventilado. Qualidades não muito difíceis de encontrar naquela cidade.
Não demorou muito Carter chegou, mas vidrado do que nunca no seu i-phone parecia que estava no meio de alguma coisa muito importante, nem esperou Félix abrir a boca e falou:
- Que foi? Que é que você tem de tão importante para falar comigo? É do trabalho? Tú não sabe o que eu já fiz! Já elaborei um plano de ação! Já separei...
- CARTERR!!!! – O grito de Félix fez Carter parar de falar, ou melhor, ajudou Carter a Respirar – Dá pra fazer silencio? Espera só um pouco aí que daqui a pouco eu te digo o que foi!
Félix agora tentava achar no meio dos alunos a silhueta de Jude, porém nada de acha - lá. Alguns minutos depois Jude aparece com um salgado e um copo de suco na mão, na certa estava até agora na fila da cantina atrás de comprar o lanche. Todos os alunos pelo menos uma vez na vida já sofreram com a fila da cantina e o pior de tudo era que a colégio nada fazia pra melhorar essa situação.
- Desculpa Félix! Tava comprando meu Lanche Você sabe como demora né? – Essas foram às primeiras palavras de Jude desde o conflito no primeiro dia de aula, até parecia que nada tinha acontecido.
- Pois é! E o pior é que esses nojentos... - Falou Félix apontando para um grupo de garotos que no ano passado tinha humilhado os três em especial o Félix pela internet –...ficam furando fila.
- Ainda me arrependo de não ter socado a cara deles. – Falou Jude dando uma encarada para os garotos o que fez Félix rir.
Logo esse bom clima terminou. Jude não se sentiu a vontade quando descobriu a presença de Carter. Félix segurou de leve o braço de Jude quando percebeu a tentativa dela de voltar
- Por favor, Jude espere só um pouco! Escute o que eu tenho pra falar – Um Tom melancólico saiu da boca de Félix, um tom que parecia mais uma criança pedindo algo pro pai
Jude sentou-se um pouco afastada de Carter, tirou um pedaço do salgado e esperou pacientemente o que Félix tinha pra falar. Carter colocou seu celular no modo de espera e já se preparava para aquela voz de gato abandonado do Félix quando quer pedir alguma coisa em especial, a reconciliação dos amigos.
- OLHA SÓ, EU SO VOU FALAR UMA VEZ! – Gritou Félix – EU NÃO AGUENTO MAIS ESSE CLIMA CHATO ENTRE VOCÊS. CARTER VOCÊ FEZ UMA BESTEIRA EM ROUBAR ESSAS INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS E PESSOAIS DO PAI DA JUDE E VOCÊ JUDE SABE QUE O CARTER É DESSE JEITO NUNCA PEDE A NOSSA AUTORIZAÇÃO PARA FAZER AS COISAS. LEMBRA-SE DA VEZ QUE ELE PEGOU AQUELE MEU CARRINHO DE BOMBEIROS...
- Aquele que a sirene tocava e jorrava água que tinha quebrado?
- Sim – Falou num volume tão baixo que Jude e Carter juraram que era outra pessoa
Houve um momento nostalgia dos três.
- POIS SIM... – Interrompeu Félix voltando ao seu volume máximo- ELE FOI LÁ EM CASA PEGOU O CARRINHO SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO E LEVOU PARA CONCERTAR NA CASA DELE. Tudo bem que ele concertou e economizou um concerto de quase 100 reais...MAIS NÃO PEDIU A MINHA AUTORIZAÇÃO.
- Tá Gente, eu sei que eu tenho essa mania de fazer as coisas escondidas, porém eu não faço por mal eu só quero ajudar– Falou Carter tentando se explicar
- Mas pelo menos deveria avisar a gente né? Carter, sério mesmo, eu não gostei do que você fez, mas não porque você fez escondido. E sim por que eu também já tentei fazer isso uma vez para conseguir alugar um livro restrito da biblioteca municipal. Mudando de assunto, eu fiquei com raiva porque você sabe como eu não gosto de brigar com meu pai, depois que mamãe morreu eu só quero fazer ele feliz- Falou Jude com os olhos lacrimejando- Eu fiquei com muito medo dele descobrir isso que você fez e como o notebook dele. A culpa ia cair inteiramente em cima de mim
- Xii! – Falou Carter coçando a cabeça percebendo que poderia ter colocado Jude em problemas- Eu não tinha pensando nisso! Jude você me desculpa? Por favor, diz que sim! Eu nunca mais vou fazer nada sem a autorização de vocês! E aí me desculpa? Eu prometo que a partir de agora eu sempre vou pedir a autorização de você para tudo, e que se...
- CARTERRRR!!! CALA A BOCA – Falou Félix tentando ajudar novamente Carter a respirar- Cara tu tem que tratar isso...toda vida que tu fica entusiasmado ou nervoso com alguma coisa tu não para de falar...
- É? Eu nem falo tanto assim ...
- Nãoooooooo né! – Jude e Félix falaram exatamente no mesmo tom, como se tivessem ensaiado há semanas.
- Sim Jude... E aí? Você vai esquecer o que o MatracaMen fez?
- Claro que sim. Eu perdoei o Carter... Mas você já tá sabendo... Qualquer informação só..
- Só com a permissão de vocês... Vou ficar atento nisso apartir de agora... – Disse Carter já tirando o celular do "Repouso"- Gente tenho novidades a respeito do trabalho
A sirene tocou o fim do intervalo
- Ei Gente! Tive uma idéia! - Falou Jude- Que tal hoje assim que a aula acabar a gente ir para o shopping? Aí lá o Carter fala essas novidades, e ainda eu aproveito e compro o presente da Lia...
- LIA!!! – Agora foram Félix e Carter que falaram em um coro muito bem ensaiando
- Caramba Félix! A gente esqueceu completamente do aniversário dela no domingo...
- Pois é então fechou Jude tenho só que ligar pra minha mãe agora. Lá na sala eu te aviso se vai dá certo...Carter empresta o teu celular? O meu tá sem crédito... hehe
- Toma Liseira!!! Não demora muito que eu ainda tenho que ligar pra minha mãe tambem
E saíram os três amigos andando rumo à sala, mais fortes como nunca porque toda amizade que é forte nunca será quebrada.
Capitulo 3 – A Pesquisa
Carter e Jude observaram pela janela Félix saindo, era legal ter o amigo de volta depois de tanto tempo.
- Quando a sua mãe vem te visitar? – perguntou Jude
- Daqui a duas semanas – a mãe e o pai de Carter são separados, ela é guia turística e quase nunca pode dar total atenção ao filho, por isso Carter mora com o pai, Haroldo, um professor de história que leciona na escola que os três amigos estudam – e o papai não vai hoje para casa, disse que vai ter que fazer umas pesquisas na biblioteca – além de professor de história seu Haroldo também é o principal responsável pela organização da biblioteca municipal de Arbor.
- Nossa seu pai gosta mesmo de pesquisar – enquanto Jude dizia isso Carter desligava o computador e ajeitava na sua mochila alguns papéis que ele tinha imprimido – que papéis são esses?
- Ah! Isso – Carter amassou os papéis dentro da bolsa - só umas bobagens, nada muito importante – sua voz ficou rouca – Tenho que ir Jude, até amanhã.
- Tchau, até amanhã não se esquece que segunda começam as aulas – os dois se despediram.
O fim de semana passou bem rápido, Félix só teve tempo de desfazer as malas e ornamentar a sua casa com os novos e extravagantes enfeites que sua mãe comprou durante a viagem, com algumas fugas para se encontrar com Jude e Carter, o suficiente para contar como foi cada minuto da sua tediosa estada na casa da vovó Bernadete. Agora realmente a rotina ia voltar ao normal, pois um novo ano letivo ia começar na escola que os amigos estudavam.
- Fééééélix – aquele grito foi o suficiente para por a rua inteira de pé, dona Alessandra acordou meio atrasada para o trabalho – vamos eu estou atrasada e você também – quando Félix entrou dona Alessandra passou a quarta e o carro saiu deixando marcas de pneu gravadas no asfalto da rua.
O caminho até a escola não era muito grande, por isso Félix era o único aluno que não ia de transporte, ele e Jude que era filha do prefeito. Alguns minutos dentro do carro e dona Alessandra já havia ultrapassado todos os limites de velocidade, resmungando que no fim do mês ia ter milhares de multas para pagar por culpa de Félix que havia se esquecido de programar o despertador para o horário habitual. Já era possível ver a fachada do único colégio de Arbor, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Carlos Américo. Boatos diziam que Carlos Américo fora a primeira pessoa a nascer em Arbor, fato esse nunca confirmado.
- Que hora termina a aula? – perguntou dona Alessandra muito apressada.
- As doze e trinta – Félix respondeu já abrindo a porta e botando o pé para fora.
- Fique me esperando aqui fora - não deu nem tempo Félix responder ela já tinha ido embora.
Externamente não haviam feito nenhuma mudança na escola, era um prédio de que ocupava um enorme quarteirão, seguia a mesma estrutura das construções mais antigas da cidade como a prefeitura, a biblioteca e o teatro. Na parte de fora havia um grande letreiro que exibia o nome do colégio de maneira bem extravagante, as paredes principais eram feitas de uma pedra diferente, uma pedra com uma leve coloração azul, onde não havia pedra prevalecia à cor branca em textura de ondas, o que dava um ar de modernidade para a escola. Era sete e quinze a aula havia começado faz cinco minutos, os corredores estavam vazios, obviamente os alunos já estavam nas salas.
A sala de Félix era no último pavimento do colégio, junto com as turmas de segundo e terceiro ano e de uma sala que vivia fechada, o caminho era longo para chegar lá. Quando abriu a porta deu de cara com professor Afonso de Física, não gostava muito dele, porém, ele ensinava muito bem.
- Félix, pensei que não viesse hoje – disse ele em um tom que pareceu um tanto irônico – sente-se, por favor, livro na página quatrocentos e trinta, estudo dos movimentos.
Jude e Carter estavam, como sempre, no fundo da sala e haviam guardado um canto para Félix. As primeiras aulas pareciam que não iam terminar, até a hora do intervalo, onde os amigos conseguiram conversas mais. Agora a aula era de história, professor Haroldo pai de Carter era um bom professor, mas às vezes parecia obcecado por algumas coisas, como os mistérios da história, se realmente o que diziam que aconteceu era verdade ou mentira.
Todos já estavam nas suas carteiras e o professor Haroldo havia acabado de chegar para a aula, ele era alto tinha os mesmos cabelos do filho, só que com alguns fios brancos, sempre com um exemplar de história geral debaixo do braço, colou o livro na mesa olhou para os alunos e disse:
- Eu sou professor de história há anos, eu sempre gostei do que eu faço e nunca vou deixar de fazer isso. – ele estava parecendo um pouco melancólico – nunca houve na história do mundo um mistério tão grande quanto as civilizações mais antigas, que em razão do muito tempo os relatos históricos destas se perderam e elas acabaram se tornando grandes enigmas para os historiadores e para a humanidade – agora parecia que ele tinha tocado em um assunto sério – Como vocês sabem, Arbor é uma cidade que não possui relatos históricos, não há lendas, não se tem conhecimento de nada. Nada. Eu, por dois anos pesquisei muito para poder compreender isso – ao término dessa frase ele baixou os olhos.
"Mas foi em vão, todas as minhas pesquisas, boatos pesquisados, histórias, não encontrei nada, eu considero essa cidade o maior dos enigmas que o mundo da história já teve, mas é claro que houve um passado, deve ter havido, os moradores mais antigos daqui especulam que houve uma civilização antes de tudo, antes da colonização, antes do império, da república, uma civilização que ninguém até hoje ninguém foi capaz de compreender, por esse motivo hoje eu estou propondo uma tarefa para vocês, uma pesquisa sobre o passado de Arbor."
Todos começaram a protestar. Gritar, uma verdadeira algazarra começou dentro daquela sala de aula. Roberto um aluno realmente aplicado foi o primeiro a desafiar o professor realmente:
- Mas professor isso é impossível se o senhor que estuda história há anos não sabe o que aconteceu com essa cidade, imagine nós que não temos nem o nível médio completo – a sala todinha assentiu.
- Esse trabalho não é obrigatório. – Um alto som de alívio percorreu a sala – Porém, quem me trouxer fatos que realmente importantes vai conseguir não só a gratidão de toda a população de Arbor como também uma significante ajuda na aprovação logo agora no começo do ano letivo – logo todos mudaram de opinião – posso contar com a ajuda de algum de vocês?
- Sim! – A maior parte da sala concordou com a proposta e ainda mais com o prêmio que ela trazia.
A algazarra continuava, os primeiros esboços de idéias iam aparecendo, os primeiros grupos já iam se formando, porém Haroldo pediu silêncio, parecia um tanto emocionado com a resposta positiva dada ao projeto que por muitas vezes já lhe deixou noites em claro.
- Fico muito feliz que a maioria da sala tenha recebido positivamente a minha idéia – disse ele com um tom menos melancólico do começo da aula – porém algumas regras serão estabelecidas. – Haroldo retira um pincel azul da sua pasta e começa a escrever no quadro branco.
Regra Nº1= Todas e quaisquer informações encontradas devem ser analisada e confirmadas, assim como qualquer informação falsa não será aceita.
Regra Nº 2= Nenhum grupo ou aluno deve se envolver em situações perigosas.
Regra Nº 3= Toda atividade ou pesquisa de campo deve ser avisada e somente realizada com a autorização previa do pai ou responsável
Após escrever Haroldo falou:
- Alguns de vocês devem estar se perguntando por que eu escolhi vocês, jovens adolescentes para me ajudar em uma pesquisa tão complexa como essa. A resposta é simples. Criatividade. Vocês têm milhões de idéias borbulhando em suas mentes. Idéias essas que estão à espera de um pequeno estímulo para poderem sair. Tenho certeza que vocês conseguirão achar algum fato, algum local ou até mesmo alguma pessoa que passou despercebido por mim nessa minha longa pesquisa. - A Sirene Tocou – Boa Sorte a todos. Completou Haroldo
Enquanto todos saiam o professor foi até Carter e os dois conversaram sobre algo, após alguns segundos Carter abraçou o pai e saiu junto à Jude e Félix. Os três amigos andavam agora pelos corredores vagos do colégio.
- E ai, quem está a fim de pesquisar sobre o enigmático passado de Arbor – Félix falou em um tom irônico e engraçado ao mesmo tempo.
- Pra ganhar aprovação antes do fim do ano eu topo qualquer coisa – todos ainda lembravam como Jude quase ficou de recuperação no ano passado.
Carter parou subitamente na frente de Félix e Jude e disse:
- Eu já sabia que ele ia passar esse trabalho, por isso eu me adiantei logo – Carter tirou de sua mochila alguns papéis, os papéis que ele havia imprimido na casa de Jude – pessoal eu sei como é o meu pai ele não pediria pra gente fazer isso se não tivesse tentado de tudo para desvendar esse mistério – Carter verificou se o corredor estava realmente vazio – por isso eu acho que é perda de tempo a gente usar as fontes de pesquisa que ele já usou – agora Carter mirou os olhos em Jude, pigarreou baixinho e continuou.
"Jude, na sexta quando eu usei o seu notebook para imprimir umas coisas eu... na verdade... essas coisas... – Carter ficava nervoso a cada palavra que dizia.
- Fala logo – pressionou Jude.
- Eu invadi o sistema do seu notebook para conseguir um histórico de senhas usadas pelo seu pai – disse Carter tão rápido que foi quase impossível de compreender.
- Você o que? – disse Jude incrédula no que acabara de escutar, ela estava visivelmente estupefata.
- Mas como? O notebook era dela e não do pai dela – disse Félix
- Na verdade o notebook que ele estava usando naquele dia era o ex-notebook do meu pai que ele tinha passado para mim – Jude agora parecia compreender tudo – por isso você queria mexer nele, tinha outros mais novos, mas você insistiu para usar o mais antigo, eu achei estranho mas não desconfiei na hora, seu... – Jude estava com uma cara de "eu quero te matar o mais rápido possível".
- Jude eu não faria isso se não fosse realmente importante – Carter tentava se explicar
- Cara por que você está tão interessado nesse trabalho? – Félix perguntou
- Vocês não entendem os boatos que rolam é que Arbor pode ter sido o berço de uma civilização antiga que tinha conhecimentos além de seu tempo – Carter parecia deslumbrado – se nós descobrirmos alguma coisa nós vamos simplesmente mudar a história.
- E o que o histórico de senhas do meu pai tem a ver com isso? – Jude ainda estava olhando feio para Carter
- O seu pai é o prefeito, já que nós não vamos usar os mesmo meios de pesquisa usados pelo meu pai eu sugiro que nós invadamos o sistema de computadores da prefeitura para recolher dados, informações mais antigos sobre Arbor – Carter disse aquilo como se estivesse na cara.
- Você vai à minha casa, invade o meu notebook na minha cara, rouba todos os históricos de senhas do meu pai e ainda sugere que nós simplesmente roubemos informações confidenciais da prefeitura? – concluiu Jude
- Cara não seria mais simples ter pedido as senhas a Jude? – perguntou Félix
- Ela nunca me daria – disse Carter.
- Nunca mesmo – rebateu Jude
- Jude eu nunca teria feito isso se não fosse importante – Carter tentou mais uma vez se explicar.
- Carter eu... eu... você... é... um... – Jude saiu correndo.
- O que deu nela? – perguntou Carter
- Cara ela confiava em você, se você tivesse pedido tinha sido bem menos desconfortável – disse Félix
- E bem mais difícil – concluiu Carter.
- Depois a gente fala sobre isso melhor. Agora eu tenho que ir minha mãe deve estar lá fora – Félix foi embora.
Sozinho no corredor Carter foi embora pra casa e estava decidido a fazer aquilo, ele tinha que saber qual era o mistério daquela cidade, qual o enigma que Arbor guardava.
Capítulo 2: Novidades
- Ufa! Até que em fim acabamos – Carter falou com uma voz cansada – Pensei que nunca acabaríamos.
- Pensei que eram só algumas malas – Jude fez questão de enfatizar o algumas.
- É isso que dá ter uma mãe fanática por enfeites – Félix falou com um tom irônico. – E então quais são as novidades?
- Féliiiiiiiiiiiiiiiiiiix! – a mãe de Félix gritava por ele, a conversa teria que esperar mais um tempo – Vem cá!
- Droga! – resmungando Félix desceu as escadas e foi ver o que sua mãe queria.
Minutos depois ele voltou
- Gente desculpa, mas a minha mãe ta pirada. Ela disse que era minha obrigação cuidar da Lola, enquanto ela ia ao supermercado. – ele disse com uma voz desanimada, Lola era sua irmã mais nova. Depois de tanto tempo sem ver os amigos ainda teria que esperar mais. Era horrível.
- Tudo bem, eu tinha mesmo que dar banho no Thomas. – Thomas era o gato gordo e peludo de Jude – Então de tarde lá em casa.
- De tarde na sua casa – repetiram Carter e Félix ao mesmo tempo o que gerou gargalhadas de todos.
A Tarde já estava acabando quando Félix finalmente pode sair de casa, para ir à casa de Jude. Antes passou pela loja Fred para cumprimentá-lo e seguiu caminho. Apesar de ficarem na mesma rua comprida as casas de Jude e Félix eram muito diferentes. A dela parecia uma daquelas Mansões saídas de filmes da Disney, com imensos jardins na frente e atrás da casa já a casa de Félix era bem normal, assim como a de Carter, exceto pelos enfeites de sua mãe. Jude sempre foi rica, mas nunca se comportou como uma patricinha muito pelo contrario, como tem um gênio muito forte vive se metendo em encrenca.
Quando Félix chegou à casa de Jude, Carter já estava lá a um bom tempo e aproveitava para "brincar",como ele dizia, com uns dos inúmeros computadores de ultima geração de Jude. Que ouvia musica em seu I pod caríssimo. Quando viu Félix entrar em seu quarto jogou o aparelho de lado e sentou na cama de súbito.
- Poxa até que em fim! Pensei que não viesse mais. – ela disse fazendo menção para que ele entrasse e sentasse em um dos sofás de seu quarto. Félix entrou, e mais uma vez ficou impressionado com o tamanho do quarto. Ele era do tamanho de sua casa as paredes pintadas de roxo e em alguns pontos de vermelho, tinha uns sofás imensos e repletos de almofadas coloridas sem contar com a televisão de quarenta e duas polegadas, a TV a cabo e o computador de ultima geração e inúmeras outras coisas de garotas.
- Desculpe, mas é que minha mãe ta surtada hoje – Félix disse envergonhado por deixar os amigos esperando – Se bem que, em que dia ela não está?
- Tudo bem, pelo menos eu pude ver umas coisas na internet - Carter disse tentando alegrar o amigo.
- E então,quais são as novidades – Félix perguntou mais animado, era incrível com ele podia se sentir bem perto de seus amigos.
- Você não vai acreditar – Jude falava entusiasmada – Lembra da Ann e do Robert, aqueles dois que viviam brigando?
- Sei, que é que tem – Félix perguntava curioso.
- Estão namorando! – Carter disse de supetão.
- O que?! – Félix perguntava sem acreditar. Como aquilo podia ser possível eles viviam brigando. – Mas eles não faziam outra coisa a não ser brigar.
- É, mas domingo ele pediu ela em namoro no meio do píer, na frente de todo mundo. Eu vi. Ele se ajoelhou e pediu como quem pede em casamento, ela disse que sim e eles se atracaram e não se largaram mais, estão todos melosos agora. – Jude respondia como quem sabe das coisas.
- Hã?... – Félix falou meio abobalhado, não estava entendendo o que Jude falava.
- Pelo amor de Deus, não me faça repetir toda a história de novo – Jude disse aborrecida.
- A história da Ann e do Robert eu entendi. Só não entendi uma coisa. – Félix dizia confuso.
- Lentamente – resmungou Carter, ironizando a situação.
- O que você NÃO entendeu Félix - Jude perguntava em um tom de ironia.
- O que eu não entendi foi: o que VOCÊ estava fazendo no píer em pleno domingo – Félix indagou e no mesmo momento Carter, que até então estivera de costa, se virou para ouvir a resposta, era obvio que também estava curioso. Jude ficou vermelha, ela sentia suas bochechas rosadas ficarem quente.
- Eu... eu...eu só estava passando, certo? - respondeu ela de maneira nada convincente o que fez os garotos ficarem mais desconfiados.
- Sei, sei – Carter disse fingindo que acreditava, mas deixou bem claro pelo tom de sua voz que não.
- Então, aquela loja roupas maneira também inaugurou essa semana. Vai ser um covil de patricinhas – Jude dizia tentando mudar de assunto. – ah... e durante o desfile o comandante Darion teve um ataque cardíaco e morreu – ela completou com frieza. O comandante nunca fora uma pessoa lá muito boa, rabugento e ignorante adorava dar bronca nos adolescentes que arrumavam briga, principalmente em Jude.
- Ah... – disse Félix, ele também não gostava muito do comandante.
- E eu acho que é só. Acabaram as novidades. – Jude disse satisfeita.
- Você não vai MESMO contar pra ele? – Carter perguntou á ela em um tom de repreensão e que fez a soltar um "Carter!" que queria dizer "cala a boca idiota".
- O que aconteceu?! – perguntou Félix, desconfiando que Jude tenha "aprontado" mais uma.
- Ela jogou uma garota da escada do Shopping ontem – Carter disse sem a mínima pena.
- Carter! – Jude disse repreendendo-o
- Por que você fez isso garota? Por acaso quer ser presa? Porque é isso que acontece quando as pessoas dão uma de doida no meio do shopping. – Félix disse. Ele sabia como a amiga tinha um gênio forte e como não deixava barato um simples comentário.
- Ela é filha do prefeito, não vai ser presa. – Carter disse para irritá-la sabia que ela não gostava dessas comparações.
- Cala a boca Carter! – ela gritou com raiva – Olha aquela garota passou por mim e por Carter e disse "Nossa como ela pode sair com ele" a que estava com ela disse "ahh... eles formam um casal bonito" – ela dizia imitando as vozes frescas e fazendo gestos semelhantes aos das garotas.
- É e depois disso ela voou no pescoço da garota, e a empurrou escada abaixo – Carter dizia também fazendo gestos como se fosse Jude.
- Nossa você é má – Félix disse nem um pouco impressionado com a atitude da amiga. – Gente, acho que já vou, nossa como já é tarde, minha mãe deve estar louca.
Félix saiu apreensivo, estava com medo de o que poderia acontecer com Carter quando ele ficasse só com Jude, tentou chamá-lo, mas ele não se tocou e disse que ainda precisava ver umas coisas na internet. Quando Félix saiu Jude não disse nada a Carter só o fitou com um olhar insano e por um momento era como se existissem raios entre seus olhos, assim como acontece nos desenhos animados, que o fez tremer e querer sair de lá o mais rápido possível.
